Qual é a diferença entre Transtorno de Identidade e Bipolaridade?

Qual é a diferença entre Transtorno de Identidade e Bipolaridade?

Sabe aquela expressão “ele é bipolar” ou aquela outra “essa pessoa tem dupla personalidade”? O que será que elas realmente querem dizer?

Quando o assunto é variação de humor, a maioria das pessoas tem bastante familiaridade. Uma mesma pessoa pode acordar alegre e, ao longo do dia, mudar seu humor completamente, dependendo dos estímulos que receber. O inverso também é verdadeiro.

Mas você sabia que todas as pessoas também têm diversas personalidades? As situações variadas da vida exigem que apresentemos variações não apenas de humor, mas também de personalidade. Em um momento somos filhos, em outros pais, gerentes, subordinados. E a postura e comportamento variam de acordo com o papel desempenhado. Tratam-se, portanto, de nuances de personalidades divididas em uma mesma versão de si mesmo.

Variações de humor e personalidade são comuns e até naturais. O problema é quando essas alterações são muito bruscas ou incontroláveis (ou, pode-se dizer, “fora de si mesmo”). Nesse caso, elas podem caracterizar duas doenças psicológicas conhecidas: o Transtorno Bipolar, também chamado bipolaridade, e o Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI).

Quais são as diferenças entre Transtorno de Identidade e Bipolaridade?

Muitas pessoas ficam com dúvida sobre quais são as diferenças entre TDI e Bipolaridade, mas a verdade é que elas são bem diferentes no que diz respeito às causas, aos sintomas e ao tratamento. Vamos esclarecê-las?

Listamos as 5 principais diferenças entre Transtorno de Identidade e Bipolaridade. Confira:

1ª diferença: enquanto a bipolaridade afeta o humor, o TDI afeta a personalidade

O Transtorno Bipolar é uma doença psicológica que causa mudanças graves no humor, na energia, no comportamento e nos pensamentos. As pessoas que sofrem dessa doença oscilam entre períodos de depressão e períodos de muito bom humor e euforia, conhecidos como mania (ou hipomania, quando em menor intensidade). Essas oscilações podem variar de intensidade e frequência de acordo com cada pessoa.

Já o Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI), conhecido antigamente como “dupla personalidade” (o nome deixou de ser usado, inclusive porque o paciente pode apresentar mais de duas), é uma condição mental em que uma única pessoa apresenta mais de uma personalidade ou identidade que, rotineiramente, tomam o controle sobre seu comportamento e forma de interagir com o mundo, apresentando características distintas entre si.

Como qualquer doença psicológica, ambas precisam ser diagnosticadas por um especialista. Não é possível chegar a um diagnóstico sem antes consultar um Psicólogo ou Psiquiatra do Bem.

2ª diferença: as causas podem variar

O fator chave para desenvolvimento do transtorno bipolar é a vulnerabilidade genética. Sem essa predisposição, vinda do histórico familiar, torna-se mais difícil desenvolver a doença. Vários fatores ambientais, sociais e de personalidade podem desencadear seu aparecimento. Entre eles estão o desequilíbrio entre os neurotransmissores (responsáveis por transmitir informações no cérebro e bloquear sensações, como a inibição), desequilíbrio hormonal, peculiaridades biológicas (diferenças físicas na formação cerebral) ou mesmo o estresse intenso ou vivência de experiências traumáticas, como abuso sexual ou perda na família. Alguns fatores podem agravar ou desencadear a doença, como o uso indevido de drogas ou álcool.

No caso do TDI, as causas ainda são vagas, mas pesquisas indicam que o desenvolvimento da doença está relacionado a experiências vividas, especialmente na infância, quando situações de abuso ou negligência emocional podem interferir no desenvolvimento da personalidade. Traumas fortes, geralmente repetitivos e de cunho sexual, físico ou emocional, parecem exercer um importante papel no surgimento do problema. Isso porque, com o impacto do trauma sofrido, a pessoa tende a desenvolver uma outra personalidade como forma de lidar com o evento traumático. O aspecto dissociativo representa um mecanismo de defesa: para enfrentar uma situação traumática ou dolorosa demais para ser assimilada de forma consciente, a pessoa literalmente dissocia-se dela.

O indivíduo não cria essas personalidades de forma intencional, por isso é comum que não tenha consciência delas, isto é, uma personalidade não sabe da existência da outra. Há, portanto, uma perda no senso de identidade.

3ª diferença: a incidência de TDI é menos comum, sendo mais baixa do que a bipolaridade

Diferente do Transtorno Bipolar, o TDI é uma doença considerada rara. Por sua incidência ser muito baixa e a doença não ser comum, ele não possui a importância acadêmica que a bipolaridade adquiriu ao longo dos anos, marcando presença em estudos científicos.

Quando o assunto é bipolaridade, a probabilidade de desenvolvimento da doença entre homens e mulheres é a mesma. Contudo, sabe-se que seu desenvolvimento é mais comum entre pessoas de 15 e 25 anos.

4ª diferença: os tipos de sintomas são diferentes

Os sintomas do Transtorno Bipolar e do TDI são bastante distintos, tornando difícil confundir os diagnósticos. Embora pareça que, no caso do Transtorno Bipolar, o indivíduo se comporte como outra pessoa, a alteração se dá apenas no humor. Sua personalidade permanece a mesma.

Dessa forma, como dito, o Transtorno Bipolar apresenta duas fases: a mania e a depressão. Cada uma possui características específicas, muito distintas entre si. Entre elas estão:

Fase da mania:

  • Alegria exagerada;
  • Fácil distração, grande agitação e capacidade de discernimento diminuída;
  • Hiperatividade, aumento de energia, pensamentos acelerados e sobrepostos;
  • Compulsão alimentar ou consumo de álcool e drogas em excessivo;
  • Autoestima muito elevada (ilusão sobre suas habilidades);
  • Grande envolvimento em atividades, gastos excessivos e fala em excesso;
  • Temperamento descontrolado e fácil irritabilidade;
  • Manter relações sexuais com muitos parceiros;
  • Insônia ou redução da necessidade de dormir.

Fase depressiva:

  • Tristeza profunda ou desânimo diário;
  • Dificuldade de se concentrar, tomar decisões ou memória reduzida;
  • Fadiga ou falta de energia;
  • Perda de apetite e peso ou comer excessivamente e ganho de peso;
  • Baixa autoestima;
  • Perda de interesse nas atividades antes prazerosas;
  • Pensamentos sobre morte e suicídio;
  • Afastamento dos amigos ou das atividades que antes eram prazerosas;
  • Problemas para dormir ou excesso de sono.

Por outro lado, no caso do TDI, há a formação de pelo menos duas personalidades, isto é, versões de si mesmo, que se revezam no controle do indivíduo. As diferentes personalidades apresentam diferentes identidades e, até mesmo, somatizações. É comum que a personalidade criada apresente idade ou gênero diferente da personalidade original do indivíduo, entre outras características, como opiniões e valores. Existem casos, por exemplo, de um mesmo indivíduo possuir uma personalidade que sofre de asma ou outras alergias, enquanto a outra não, chegando a levar essa alteração para um aspecto físico.

Outros sintomas comuns são:

  • Lacunas de memória ou amnésia. Uma personalidade pode não ter conhecimento da outra, em alguns casos, e o indivíduo simplesmente esquece dos eventos ocorridos enquanto a outra identidade estava no controle;  
  • Desmaios;
  • Pseudoconvulsão;
  • Depressão;
  • Mudanças de humor;
  • Tendências suicidas;
  • Distúrbios do sono;
  • Ansiedade;
  • Distúrbios alimentares.

5ª diferença: a forma de tratamento é variada

Apesar de não haver cura para nenhuma das doenças, o tratamento de ambas promove bons resultados, especialmente a longo prazo quando há comprometimento não apenas do paciente mas de toda a família. Ele inclui a psicoterapia, uma forma de aconselhamento psicológico focado na diminuição do número de crises e de entradas para outras personalidades, no caso do TDI. Contudo, as ações para tratar cada doença são específicas e dependem do acompanhamento de um Psiquiatra ou Psicólogo do Bem.

O tratamento de Transtorno Bipolar inclui ainda o uso de medicamentos e mudanças no estilo de vida, que envolvem a redução dos níveis de estresse, adoção de hábitos mais saudáveis de alimentação e sono, prática de exercícios físicos e a redução total do consumo de substâncias psicoativas, como a cafeína e álcool.

Já para o Transtorno Dissociativo de Identidade, o tratamento inclui outros tipos de terapia, como a hipnoterapia e terapias farmacológicas. O uso de medicamentos é necessário apenas para tratar doenças paralelas, que podem surgir de forma concomitante, como é o caso da depressão. Mudanças de hábitos também são bem-vindos para promover uma mudança na qualidade de vida de forma geral.

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