As doenças psicossociais e o afastamento do trabalho

As doenças psicossociais e o afastamento do trabalho

Foi-se o tempo em que doenças psicossociais eram consideradas balela ou frescura do colaborador! O tratamento delas é tão importante quanto o das enfermidades físicas. O que é mais alarmante é que elas representam uma grande parcela entre as principais causas de afastamento do trabalho!

O que são as doenças psicossociais e quais são elas?

A palavra “psicossocial” refere-se à relação entre aspectos psicológicos e sociais (do próprio convívio em sociedade) do indivíduo. Trata-se, portanto, do ramo de estudo que abrange os aspectos da vida social em conjunto com a psicologia clínica.

Também podendo ser chamadas de doenças ocupacionais, as doenças psicossociais são provocadas pela influência do ambiente de trabalho sobre a saúde psicológica do funcionário. Ela afeta não apenas este aspecto, mas também a saúde física, como o funcionamento do organismo biológico, gerando efeitos negativos a nível mental, físico, consequentemente, social do colaborador. São muitos tipos de doenças que se enquadram nessa categoria, mas alguns exemplos são o estresse relacionado ao trabalho, o esgotamento e a própria depressão.

É impossível negar que, quando o assunto é convívio social, o ambiente de trabalho representa uma importante influência sobre o colaborador e sua saúde psicológica. Afinal, o colaborador desempenha diversas atividades, sejam elas em conjunto com outras pessoas ou não, em um extenso período de tempo durante o trabalho.

Contudo, o ambiente de trabalho passa a representar um risco apenas quando causa algum tipo de pressão exacerbada sobre o colaborador, por exemplo, quando apresenta um clima organizacional problemático, deficiências na gestão ou comunicação interna ou falta de organização.

Quais são as causas das doenças psicossociais?

Entre as principais razões que podem levar ao desenvolvimento de doenças psicossociais relacionadas ao ambiente ocupacional estão:

  • Intensidade do trabalho ou carga horária excessiva;;
  • Insegurança ou má gestão;
  • Pressão no trabalho;
  • Longo período no desempenho da função;
  • Exigências emocionais da função;
  • Excesso de cobranças e prazos;
  • Não reconhecimento financeiro, do desempenho e das qualidades do colaborador;
  • Exigências contraditórias e falta de clareza na definição das funções;
  • Dificuldade no relacionamento com chefia ou colegas;
  • Falta de participação na tomada de decisões;
  • Assédio moral ou sexual.

Essas situações podem gerar um quadro sintomático progressivo capaz de incapacitar os colaboradores. Contudo, como se tratam de sintomas cognitivos em sua maioria, podem ser menos evidentes à percepção de terceiros. Os sinais iniciais mais comuns costumam envolver:

  • Tristeza;
  • Desânimo;
  • Insônia;
  • Irritabilidade;
  • Dores sem causa aparente;
  • Cansaço excessivo;
  • Perda do interesse pela atividade;
  • Dificuldades na tomada de decisões.

Mas não são apenas os colaboradores que sofrem com essa condição. As doenças psicossociais são responsáveis não apenas por causar o absenteísmo, como também por reduzir a produtividade dos colaboradores. Como sintomas cognitivos são mais fáceis de esconder, o colaborador pode optar por não buscar ajuda médica, o que torna difícil manter seu rendimento. Geralmente incapacitantes, as doenças psicossociais impactam diretamente na qualidade do trabalho e, consequentemente, nos resultados da empresa.

Trata-se, portanto, de um problema que não afeta apenas o colaborador, mas também a empresa. Se, por um lado, os problemas no trabalho representam enfermidades para o colaborador, para a organização eles interferem diretamente em seu desempenho geral. Além disso, colaboradores  que se apresentam ao trabalho doentes e incapazes de exercer suas funções eficazmente aumentam o risco de provocar acidentes e lesões.

A influência do estresse

Um dos principais fatores relacionados ao surgimento das doenças psicossociais é o estresse.

Geralmente desencadeado quando as exigências do trabalho são excessivas e superam a capacidade do trabalhador, o estresse é o elemento chave. Além de influenciar no desenvolvimento de problemas de saúde mental, o estresse é um fator de risco para o surgimento de doenças graves, como lesões músculo-esqueléticas e problemas cardiovasculares.

Outro exemplo de doença psicossocial é o esgotamento mental e físico, característico da Síndrome de Burnout. Além de se apresentar sem energia ou disposição para realização de atividades que antes seriam simples, o colaborador pode apresentar alterações comportamentais, tornando-se mais agressivo e ansioso, bem como maior predisposição para desenvolver doenças devido à baixa resistência imunológica. Esse quadro pode ainda desencadear uma depressão no colaborador, devido, entre outros fatores, à falta de disposição no convívio social.

Como tratar doenças psicossociais?

O tratamento de qualquer doença psicossocial começa pelo diagnóstico do problema! Ele é feito por meio do acompanhamento de um profissional médico da área, como um Psicólogo ou Psiquiatra. O Doutor leva em conta não apenas o quadro sintomático, mas também todo o contexto do funcionário – inclusive sua vida pessoal, como sua condição familiar, de moradia, entre outros aspectos.

Entre os métodos mais utilizados para tratar doenças psicossociais estão a terapia ocupacional, os grupos de convivência, e o suporte vocacional. Contudo, cada caso é tratado de forma particular, dependendo do tipo da doença, causas e sintomas.

Como as empresas podem cuidar de seus funcionários e evitar as doenças psicossociais?

A melhor forma de combater o surgimento de doenças psicossociais e proteger o quadro de colaboradores é promover um ambiente psicossocial positivo. Esse investimento é capaz de garantir não apenas o bom desempenho dos colaboradores, mas ainda seu desenvolvimento pessoal, juntamente com seu bem-estar mental e físico.

Não se trata apenas de uma obrigação da empresa, a gestão do estresse e outros riscos constitui, na realidade, um dos principais investimentos em pessoal que uma empresa pode realizar em termos de resultados, independentemente de seu porte ou segmento.

Mas, para isso, é preciso adotar a abordagem correta. Uma forma de realizar essa gestão é identificar os fatores de risco psicossociais do ambiente de trabalho. Nesse momento, é essencial garantir também o envolvimento dos colaboradores, pois são eles que possuem a melhor perceção dos problemas e realidade do ambiente em que estão inseridos. A participação deles contribuirá tanto com a identificação dos problemas, para realização dos ajustes, quanto com a garantia de que as medidas adotadas sejam relevantes, adequadas e eficazes para a realidade de todos.

De todos os riscos psicossociais, o mais difícil de ser gerido é o estresse. Enquanto conflitos, falta de organização e condições precárias do trabalho podem ser administrados, o estresse se apresenta, muitas vezes, como um mal necessário. Contudo, ele pode ser prevenido ou mesmo gerenciado.

Para minimizar os impactos de um ambiente de trabalho estressante, o ideal é converter as condições negativas em aspectos desafiadores, promovendo um ambiente de trabalho construtivo e estimulante, em que os colaboradores sintam-se bem preparados e estejam motivados para apresentar o melhor desempenho. Quando o colaborador percebe que tem o suporte da empresa, passa a desempenhar o seu papel de forma mais segura e (por que não dizer?) mais feliz.

A dica, portanto, é estar sempre atento ao bem-estar dos colaboradores. Isso porque o fato do colaborador continuar trabalhando mesmo apresentando sintomas, além de ser prejudicial para sua própria saúde, pode ser mais custoso para a organização do que seu afastamento, uma vez que seu desempenho é inferior e pode ser uma influência negativa também no rendimento e desenvolvimento de seus colegas de trabalho.

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