O xixi mudou de cor: qual a relação com a hepatite?

mulher observando a cor do xixi no banheiro

Algumas pessoas, eventualmente, notam uma mudança na coloração da urina. Já aconteceu com você?

Eventualmente, acontece também uma mudança na cor das fezes. Costumamos tratar essas questões como algo banal, sem nos lembrarmos que esses podem ser alguns sinais de que estamos com problemas no fígado (e, em casos mais graves, hepatite). Entenda o que acontece e como identificar os problemas.

Mas por que isso acontece?

Por definição, a hepatite é toda inflamação do tecido do figado ou tecido hepático que leva ao comprometimento das funções desse órgão.

O figado é o principal órgão de processamento de substâncias em nosso organismo – e entre outras coisas, o responsável pela produção de bile (que auxilia na digestão), até o metabolismo e armazenamento de substâncias que circulam no sangue, como algumas proteínas (por exemplo albumina) e de fatores que auxiliam na coagulação.

Por isso, dependendo do grau de acometimento do fígado, temos uma série de sinais e sintomas que o indivíduo pode apresentar.

Sinais, sintomas e testes de identificação

Os mais comuns são: mudança de coloração dos olhos (icterícia), da urina (colúria) e das fezes (acolia). Além de sintomas nada específicos e muitas vezes confundidos com gripe, como mal estar geral, calafrios, desanimo e perda de apetite e peso, combinado com dores musculares.

Em muitos casos, a doença acaba não apresentando sintomas e, como veremos adiante, são responsáveis por diagnósticos tardios que podem comprometer seriamente  a saúde do individuo.

No exame físico o paciente pode apresentar fígado aumentado (hepatomegalia), às vezes acompanhada do baço aumentado (esplenomegalia) e mais raramente algumas lesões cutâneas.

Por ter várias causas, muitas vezes o diagnóstico pode ser feito através de exames de sangue, como hemograma, pesquisas de enzimas hepáticas (ALT, AST, GGT e Bilirubinas), provas de coagulação e eletroforese de proteínas.

Todos estes testes laboratoriais medem a função hepática e, consequentemente, o grau de acometimento do fígado. Exames específicos de sorologia e testes de biologia molecular são indicados para a definição do agente causal da hepatite, principalmente quando a hepatite se refere à causas virais.

Como falamos anteriormente, a doença hepatite pode ser causada por vários fatores – desde uma doença autoimune, doenças do metabolismo, até causas mais frequentes como infecções bacterianas e agentes tóxicos, mas principalmente infecções virais.

Quando causada por agentes químicos, a hepatite recebe o nome de hepatite tóxica, pois estas substâncias químicas, geralmente industriais, acabam agredindo o fígado, causando lesões e podendo levar a quadros graves e, em casos mais extremos, falência hepática e, consequentemente, óbito.

Dentro das hepatites tóxicas notamos que muitas podem ser causadas por medicamentos. Embora essa causa seja rara, com uma incidência de 1 a cada 100 mil indivíduos que tomam  medicamentos, é geralmente um quadro grave causado por uma reação do organismo ao medicamento que afeta o metabolismo das drogas pelo  fígado.

Muitos outros fatores também influenciam este quadro – entre eles, podemos citar a idade, dieta, genética, doenças concomitantes e, também, a sinergia entre medicamentos, daí a raridade de sua prevalência.

Dentre as hepatites tóxicas, devemos lembrar que o álcool é uma das principais causas, e se o consumo for frequente, progressivo e excessivo pode resultar em quadros hepáticos graves e com sérios danos à saúde dos indivíduos.

Infecções generalizadas podem também levar ao acometimento do fígado: as  chamadas hepatites bacterianas ou mesmo trans-infecciosas, principalmente em indivíduos com a saúde já comprometida que venham a ter uma infecção.

Muitas vezes as hepatites originárias de infecções do sistema urinário, respiratório ou gastrointestinal, são provocadas por bactérias como a Salmonella, Pseudomonas e E Coli. Estas infecções necessitam de uso adequado de antibióticos para seu controle  e cura.

Mas, sem dúvida, entre as principais causas de hepatite, estão as causadas por vírus. Nesse caso  podemos definir dois principais grupos:

  • O primeiro grupo é composto dos casos em que vírus atacam indiretamente o fígado – ou seja, não necessitam do tecido hepático para causar a infecção, como CMV Citomegalovirus, Rubéola, Herpes, entre outros.
  • Já o segundo grupo é composto por vírus que atacam o fígado diretamente, ou seja, que necessariamente precisam se alojar no fígado para causar a infecção. São os chamados vírus hepatotrópicos, conhecidos pela sopa de letrinhas A, B, C, D, E e G.

Embora sejam todos vírus que acabam lesando o fígado, existem diferenças fundamentais entre eles, desde o tipo, tamanho, modo de contágio, etc. Por isso, faremos um breve resumo sobre as características de cada um, para podermos entende-los da melhor forma possível.

Hepatite A

Geralmente causa uma hepatite de forma aguda, leve ou mesmo assintomática, já que  nunca se cronifica.

Seu contágio é feito através da transmissão fecal-oral, ou seja, através da ingestão de alimentos ou mesmo água contaminada – daí sua elevada prevalência em locais onde não existem saneamento básico.

Seus sintomas podem surgir em até 45 dias pós contagio, embora na média os primeiros sinais aparecem em 30 dias.

Como sua sintomatologia é branda, muitos casos apresentam um quadro clínico muito semelhante a um quadro gripal, seguido de diarreia e icterícia, sendo estas mais comuns nos indivíduos adultos que em crianças.

Na parte laboratorial, verificamos poucas alterações dos exames de função hepática, como pesquisa de alterações das enzimas do fígado e provas de coagulação.

O diagnóstico é definido através do quadro clínico, somado à sorologia específica, sendo que os indivíduos que se contaminam têm imunidade contra este tipo de vírus para o resto da vida.

Como existe uma vacina bem eficaz contra o VHA , a prevenção se faz através da mesma, combinada com medidas higiênicas, além da melhoria do saneamento básico em geral – e condições de vida da população exposta.

Hepatite B

Talvez a mais conhecida das hepatites virais, a hepatite B tem sua transmissão através de sangue ou materiais perfurocortantes contaminados, como agulhas, e ou tinta de tatuagem, uso de drogas injetáveis e inaláveis e por relação sexual.

Apresenta desde uma sintomatologia branda até casos com evidências de sinais e sintomas clínicos, principalmente ictericia, coluria, astenia, fadiga, febre, náuseas e vômitos.

Um indivíduo contaminado pode demorar até um ano e meio para apresentar os sintomas, e a infecção pode chegar a durar até um ano.

Um dos maiores problemas deste tipo de vírus é que pode levar a um mecanismo de cronificação da doença, causando cirrose hepática e até câncer de figado – o temido hepatocarcinoma.

Em raros casos, a infecção é tão intensa e o sistema imune do indivíduo reage tão violentamente, que podemos ter um quadro de hepatite fulminante. Este quadro  pode levar ao óbito em poucos dias. Felizmente, este episódio é raro e atinge menos de 1% dos indivíduos acometidos pelo vírus B.

Em cerca de 90 % dos casos, o paciente evolui de forma benigna, curando-se da infecção após o período agudo da doença.

Contudo, em cerca de 10% dos contaminados, é possível observar a evolução para a cronicidade. Por isso devem ser acompanhados para evitar que a continua lesão hepática possa levar ao quadro de cirrose e Hepatocarcinoma. Daí explica-se porque muitos desses indivíduos necessitam fazer tratamentos com drogas antivirais específicas, como o Interferon e Lamivudina.

Os exames de laboratório costumam apresentar alterações, mas dependem principalmente do grau de lesão hepática e do estágio da doença.

Como existe vacina, é fundamental que os indivíduos procurem esse tipo de prevenção para evitar tanto o contagio. E, sendo uma doença de transmissão sexual, medidas de sexo seguro se fazem necessárias para evitar a disseminação.

Ainda relacionado com esse vírus, existe a possibilidade do individuo sofrer o contágio simultâneo com outro vírus causador de hepatite, o vírus D. Essa comorbidade pode levar a um agravamento do quadro clínico e uma transformação da resolução benigna da infecção em um doença mais agressiva e com consequências mais sérias.

Hepatite C

A hepatite C provoca uma infecção muitas vezes silenciosa, ou seja, que não apresenta sintomas – e é geralmente detectada quando o indivíduo apresenta o comprometimento hepático. Hoje, sem dúvida, é uma das maiores preocupações da saúde pública mundial.

Estima-se que cerca de 200 milhões de pessoas no mundo estejam contaminadas pelo HVC, e algo entre 3 e 5 milhões apenas no Brasil.

Transmitida através do sangue (como o compartilhamento de seringas ou transfusões sanguíneas não controladas, e práticas clínicas pouco seguras) é geralmente assintomática. Soma-se a esse fato que somente em 15% dos casos se apresenta de forma aguda, e por isso percebemos a importância de esclarecimento sobre essa doença.

Nestes casos, como o vírus apresenta uma sintomatologia bem branda (que dificulta o diagnostico), muitas vezes é confundido com um estado gripal.

Por isso a necessidade de uma boa conversa com o médico para ajudar a identificar se o paciente não apresenta fatores de risco, como por exemplo o uso de drogas injetáveis e inaláveis, tatuagens, transfusões sanguíneas, materiais inadequadamente esterilizados ou mesmo atividade sexual de alto risco.

Como é uma doença com alto grau de cronificação e pouca sintomatologia, o diagnóstico, muitas vezes, é feito através de exames de rotina, onde são encontradas alterações na função hepática, e confirmado com exames sorológicos específicos para detecção do vírus C.

A cronificação leva, através dos anos, ao estágio de cirrose hepática e, se não tratada, ao carcinoma Hepatocelular.

Hoje sabemos que o desfecho da infecção pelo vírus C é uma das principais indicações de transplante de fígado em alguns países, não importando se é um pais desenvolvido ou em desenvolvimento.

O tratamento visa, principalmente, o controle da doença, buscando a diminuição do vírus na circulação sanguínea e, consequentemente, impedindo o progresso da lesão hepática.

Drogas cada vez mais eficientes como Interferon, Ribavirina, entre outras usadas em solitário ou em combinação, têm trazido resultados promissores na erradicação da viremia no indivíduo.

Estudos mostram que existem vários subtipos de vírus (os chamados genótipos virais), e dependendo do genótipo, espera-se uma resposta melhor à terapia antiviral.

A prevenção se faz através de medidas sócio-educativas e melhor controle das causas de infeção, tais como evitar a exposição aos meios conhecidos de transmissão.

 

Com esta breve conversa sobre as hepatites, acreditamos ter esclarecido os principais pontos e diferenças entre as várias formas da doença

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