Descoberta da causa da calvície e a possibilidade de um novo tratamento

Descoberta da causa da calvície e a possibilidade de um novo tratamento

Preocupação de cada 9 entre 10 homens, a calvície é um dos grandes vilões da aparência masculina. Enquanto as mulheres temem ter cabelos brancos e querem se livrar dos pelos, o drama dos homens é outro: evitar ou controlar a queda de cabelos. O problema pode ser tão sério que, para alguns homens, a preocupação da lugar a distúrbios graves, como a depressão.

A calvície masculina, ou alopecia androgenética, ocorre em um a cada dois homens no mundo e sua forma de tratamento pode ser clínica, com o uso de medicamentos, ou cirúrgico, com o implante capilar. Infelizmente, nem sempre os tratamentos são eficazes para todos os pacientes.

Contudo, essa realidade pode estar prestes a mudar. Estudos realizados na Universidade da Califórnia não apenas apontam para a descoberta da causa da calvície como também para possíveis novos tratamentos.

A relação entre as células T reguladoras (linfócitos T) e a calvície

A causa da calvície, bem como o que pode ser um novo tratamento, acabam de ser descobertos. O mais interessante: as descobertas foram feitas por acidente – e as células T reguladoras tem tudo a ver com isso.

Também chamadas de Tregs, as células T reguladoras são células geralmente associadas ao controle de inflamações. Para investigar o papel das Tregs na saúde da pele, pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, estavam realizando experiências em que precisavam remover temporariamente as Tregs de ratos. Após rasparem os animais, os pesquisadores notaram que os pelos não voltaram a crescer, descobrindo uma relação direta entre a presença e bom funcionamento das Tregs com o crescimento dos pelos.

A descoberta acidental abriu um novo campo para estudos. As células T participam ativamente do processo de crescimento de cabelos, estando conectadas às células-tronco nos folículos capilares, que contribuem com a regeneração dos pelos. Em exames de imagens, foi possível perceber que, quando os folículos estão se regenerando, a quantidade de Tregs triplica na região.

Dessa forma, as Tregs são responsáveis por ativar as células-tronco da pele para que ocorra o crescimento de cabelos – o que, antes, acreditava-se ser feito pelas células-tronco sozinhas. A calvície, portanto, tem origem quando as células T não estão ativadas ou têm algum defeito, influenciando na capacidade das células-tronco de regenerar os folículos capilares.

Além disso, os pesquisadores acreditam que a falta de Tregs pode causar a alopecia areata, uma doença autoimune que causa a queda repentina de cabelo em grandes quantidades. A alopecia areata é tão comum quanto a artrite reumatoide e mais comum do que a diabetes tipo 1.

A descoberta da causa é o primeiro passo para a pesquisa de um possível tratamento.

A influência do ácido lático na calvície

Você acreditaria se alguém te contasse que, diferente de todas as células presentes em órgãos e tecidos que mantêm atividade constante, as células-tronco dos cabelos trabalham apenas em alguns períodos? E é apenas quando elas trabalham que o cabelo cresce.

Quando elas não estão trabalhando, elas entram em um estado de dormência. Aliás, estado preferido das células-tronco dos cabelos. O corpo, portanto, precisa ativar essas células. Problemas nesse mecanismo podem significar prejuízos na renovação dos fios e, consequentemente, calvície. Pessoas que possuem predisposição genética a ser calvo podem perder a capacidade de estimular o trabalho dessas células com a idade, o que impossibilita a manutenção do volume do cabelo.

Um estudo publicado no jornal Cell Biology e divulgado pela revista Superinteressante revelou que o metabolismo dessas células-tronco funciona de uma forma diferente. Todas as células precisam quebrar as moléculas de glicose para produzir energia e se multiplicar. Contudo, enquanto as células apenas quebram a glicose para absorvê-la, as células-tronco presentes nos folículos capilares geram um subproduto ao quebrar ao realizar o processo, o ácido pirúvico. Uma vez produzida, essa substância pode ter dois destinos: ser transformada em energia ou em outro subproduto: o ácido lático.

Ao descobrirem esse processo, os cientistas perceberam uma ligação entre a produção de ácido lático e a falha no crescimento de cabelos. Ao testar a hipótese em cobaias, as descobertas foram mais além: o ácido lático é a substância responsável por coordenar a função de ativar as células-tronco dos cabelos. Cobaias modificadas geneticamente para produzir mais ácido lático mantiveram o crescimento de pelos mais constante, como esperado.

Segundo os cientistas, dois fármacos podem resolver o problema de formas diferentes, ativando as células dormentes dos folículos capilares: o RCGD423, que foca diretamente no aumento da produção de ácido lático, e o UK5099, que bloqueia a entrada de ácido piruvato na mitocôndria, forçando a célula a produzir a substância por si só. Trata-se, portanto, de uma nova maneira de estimular o crescimento do cabelo.

A expectativa é que esses fármacos sejam usados no futuro em medicamentos para tratamento de calvície ou alopecia. Vamos aguardar juntos? 😉  Acompanhe mais notícias sobre os avanços nas descobertas sobre a calvície com a gente.  Se quiser saber mais sobre os tratamentos, consulte um Dermatologista do Bem.

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