Hepatite e Diabetes: qual a relação?

Hepatite e Diabetes: qual a relação?

Você sabia que um paciente com hepatite tipo C tem risco até quatro vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2?

Em primeiro lugar, vamos entender mais sobre a doença hepatite! Você com certeza tem medo de contrair hepatite, ou já ouviu alguém falando que tem! Mas você sabe o que é a doença ou tem ideia de como se prevenir?

O fígado está localizado ao lado direito da barriga e é vital para o funcionamento do organismo. Ele pode se regenerar graças à capacidade das células que compõem seu tecido (os hepatócitos) de recuperar a habilidade de se dividir quando necessário.  A Hepatite é o nome dado à degeneração que acomete o fígado, podendo ter diversas origens: agentes tóxicos (como álcool e medicamentos) ou infecciosos (vírus e bactérias).

O que causa hepatite?

Apesar de a ingestão frequente e abusiva de álcool ou outras substâncias tóxicas, como alguns medicamentos, também causar hepatite, as mais comuns são as infecções por vírus. Os vírus parasitam as células do fígado e passam a se reproduzir, enquanto o sistema imunológico do indivíduo começa a atacar e destruir essas células para conter o vírus, dando início a um processo de inflamação no órgão, ou seja, hepatite.

Como vírus são seres vivos capazes de sofrer mutações, existem vários tipos de vírus que causam a doença. Os mais conhecidos são os vírus tipo A, B e C. Um dos pontos que variam entre os vírus são as formas de transmissão:

Hepatite A:

Altamente contagiosa, se dá pelo contato com água, alimentos e utensílios contaminados. A prevenção? Implementação de saneamento básico e normas de higiene.

Hepatite B:

Transmitida, geralmente, por contato sexual, transfusão sanguínea, materiais cirúrgicos contaminados ou por agulhas contaminadas (no uso de drogas endovenosas, tatuagens, piercings e acupuntura). Além disso, materiais e equipamentos não esterilizados na manicure ou no dentista também podem transmitir o vírus.

Hepatite C:

Transmitida pelas mesmas vias da hepatite B, tem a única diferença de ser muito menos infecciosa pela via sexual. Nesse caso, a via endovenosa é a mais comum. A hepatite C, também chamada de HCV,  é uma doença com progressão lenta, devido a capacidade de regeneração do fígado, mas que pode evoluir para outras complicações graves, como cirrose e/ou câncer de fígado. Além disso, a hepatite C pode iniciar como uma doença silenciosa. Dos 2 milhões de portadores do vírus, 70% não fazem ideia de que estão contaminados! 

O grande perigo da hepatite C era a transfusão de sangue, uma vez que o vírus só foi descoberto na década de 1990. Como não se sabia da sua existência até então, não eram aplicados testes para essa infecção nas bolsas de sangue para transfusão ou nos doadores. Atualmente, no entanto, a transfusão de sangue é uma prática segura. São realizados testes prévios durante as doações e descartados os sangues contaminados.

A boa notícia é que as chances de cura da Hepatite tipo C são superiores a 90%. O tratamento é focado no uso de antivirais com o objetivo de eliminar o HCV do organismo e evitar a progressão da infecção para cirrose e falência hepática. O paciente é considerado curado quando o vírus continua indetectável no sangue 6 meses após o fim do tratamento.

Qual é a relação entre hepatite C e diabetes tipo 2?

Todos os portadores de Hepatite tipo C podem apresentar manifestações associadas ao vírus mesmo fora do fígado. Uma delas é a Diabetes tipo 2. Os grandes riscos de um paciente com HCV desenvolver a doença estão relacionados ao fato de que o vírus da Hepatite C é capaz de alterar a sinalização da insulina e impedir que ela regule o metabolismo da glicose no organismo!

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e responsável por transportar o açúcar do sangue às células, onde será usado como fonte de energia ou estocado.

Na Diabetes tipo 2, o pâncreas produz insulina normalmente, mas o organismo apresenta uma resistência à ação da insulina que, por não conseguir desempenhar seu papel de forma adequada, gera um acúmulo de altas doses de glicose no sangue.

Como o HCV dificulta (e por vezes bloqueia) a ação da insulina, o pâncreas entende que deve secretar mais insulina, conseguindo estabilizar o nível de açúcar a partir de uma maior quantidade de moléculas da insulina.  Isso faz com que cada vez mais insulina seja necessária para normalizar os níveis de glicose no sangue, acarretando em um acúmulo de gordura no fígado e, consequentemente, outras doenças metabólicas.

Além disso, nos pacientes com cirrose avançada, o Diabetes Tipo 2 aumenta de 4 a 5 vezes o risco de câncer de fígado. A boa notícia é que, após eliminar o HCV da circulação, há uma significativa redução no aparecimento deste tipo de diabetes.

Como se prevenir da diabetes e da hepatite C?

Apesar de não existir vacina para Hepatite tipo C, como existe para a tipo A e B, outras formas de prevenção podem ser eficazes, como as triagens realizadas nos bancos de doação de sangue e órgãos para doações. Como a doença pode ser silenciosa, uma ação preventiva importante é o diagnóstico precoce, que pode ser realizado por meio do teste sorológico para Hepatite C, a ser recomendado pelo Doutor durante a consulta, segundo orientação do Conselho Federal de Medicina em publicação no Diário Oficial da União em 2016.

Movidos pela perigosa relação entre a doença e a Diabetes tipo 2, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) criou a campanha “na ponta do dedo”, cujo objetivo é conscientizar a população sobre a importância de fazer o teste anti-HCV para diagnosticar o vírus e, se preciso, dar início ao tratamento.

Além disso, é necessário entender os riscos da diabetes e como se prevenir dessa doença também! Você pode saber mais exclusivamente sobre essa complicação nessa matéria: “Entenda os riscos da diabetes e como prevenir essa doença

Consulta com um Doutor do Bem! Encontre o mais próximo de você no www.consultadobem.com.br 😉 

Posts relacionados

Deixe uma resposta