Hipoglicemia e o baixo nível açúcar no sangue

Hipoglicemia e o baixo nível açúcar no sangue

Ah, o açúcar!

Além de agradar o paladar com seu sabor doce, uma de suas moléculas, a glicose, é a principal fonte de energia do organismo. Ela funciona no corpo humano como o combustivel em um automóvel: se não for abastecido, para de funcionar.

Ao se alimentar, o indivíduo fornece a glicose necessária para abastecer seu organismo com energia. Esse açúcar é transportado pela corrente sanguínea para ser distribuído por todo o corpo. Os níveis de glicose no sangue recebem o nome de glicemia. Em jejum, os valores normais de glicose no sangue costumam ficar entre 70 e 100 mg/dl. Quando os níveis de glicose no sangue estão abaixo disso, tem-se um quadro chamado hipoglicemia.

Você provavelmente já viu alguém precisar comer uma bala ou chocolate porque começou a se sentir muito fraco, não é mesmo?

Na realidade, em pessoas saudáveis, a hipoglicemia não é um evento comum, pois o organismo é capaz de utilizar suas reservas de gordura para fornecer quantidades suficientes de açúcar para o sangue, estabilizando a glicemia. Mesmo após ficar várias horas ou até mesmo um dia inteiro em jejum, ele pode não desenvolver a hipoglicemia se tiver reservas suficientes.

A estabilização da glicemia é feita por meio da ação de vários hormônios produzidos pelo pâncreas. Os principais são a insulina e o glucagon. A insulina é o hormônio liberado para normalizar a glicemia quando seus níveis estão elevados (hiperglicemia). Ela age imediatamente após a digestão, ajudando as células a absorver a glicose e, assim, mantendo os níveis de açúcar no sangue estáveis. O glucagon, por sua vez, é o hormônio que normaliza a glicemia quando seus níveis estão baixos (hipoglicemia). Ele é, inclusive, o hormônio capaz de transformar as reservas de gordura em glicose.

As causas mais comuns relacionadas ao surgimento da hipoglicemia em pessoas saudáveis são o consumo excessivo de álcool, que inibe o pâncreas da produção de insulina, doenças como cirrose ou hepatite grave, desnutrição ou estar muito abaixo do peso ideal, deficiência de cortisol, realização de cirurgia para diminuição do estômago, presença de tumores do pâncreas e uso de medicamentos, como quinina, para tratar a malária.

A hipoglicemia é uma reação que pode ocorrer com frequência em pessoas que possuem diabetes quando passam muito tempo sem comer ou tomam doses altas do remédio de controle da glicemia, como é caso daqueles que fazem injeções de insulina. Isso porque a dose de insulina aplicada depende diretamente da quantidade de carboidrato ingerido. Se acontecer de a insulina aplicada ultrapassar a quantidade de açúcar ingerido, pode haver um quadro de hipoglicemia.

Existe ainda um tipo de hipoglicemia chamado pós-prandial ou reativa. Apesar de menos comum que a hipoglicemia de jejum, este tipo do distúrbio ocorre dentro de 4 horas após as refeições, como resultado do desequilíbrio entre os níveis de glicose e de insulina no sangue. A hipoglicemia reativa costuma ocorrer quando os carboidratos ingeridos na refeição são absorvidos muito rapidamente, estimulando a produção de insulina em grande quantidade e pouco tempo. Esse tipo de reação é uma das complicações comuns das cirurgias de redução de estômago, mas não é um diagnóstico em si. É preciso investigar sua causa.

Sintomas da hipoglicemia

Na grande maioria dos casos, os sintomas de hipoglicemia surgem apenas quando o valor da glicemia cai para níveis abaixo de 60 mg/dl. Eles são resultado do sofrimento das células, especialmente dos neurônios, devido à carência de energia, bem como da reação do sistema nervoso à queda da glicemia.

Os sintomas são divididos em duas categorias: os adrenérgicos, relacionados à presença de níveis elevados de adrenalina, glucagon e alguns outros hormônios no sangue, e os neuroglicopênicos, associados à falta de glicose para as células cerebrais, que passam a funcionar de forma inadequada. Entre os sinais mais comuns, estão:

  • Sintomas adrenérgicos: tremores, fome excessiva, taquicardia, dor de cabeça, palpitações, ansiedade, suor frio, formigamento ao redor da boca, entre outros.
  • Sintomas neuroglicopênicos, que incluem: confusão mental, alterações de comportamento, perda da capacidade de raciocínio, discurso incoerente, dificuldade de realizar atividades simples ou rotineiras, perda da noção de espaço ou tempo, alterações visuais, redução do nível de consciência e, em casos extremos, até mesmo convulsões. Esses sinais surgem quando os níveis de glicose no sangue caem para 55 ou 50 mg/dl.

Diagnóstico e tratamento da hipoglicemia

O diagnóstico de hipoglicemia é realizado por meio da observação clínica. O paciente pode ser internado por tempo suficiente para manifestar os sinais e realizar exames durante o período. Um dos exames mais comuns para testar a doença é a glicemia de jejum. O teste consiste em colher uma amostra de sangue para análise em laboratório de modo a verificar os níveis de glicemia. Uma vez obtido o resultado do exame, a última fase do processo de diagnóstico consiste em avaliar a resposta do paciente ao tratamento. Se os níveis de glicose no sangue subirem, o resultado é positivo para glicemia.

O tratamento, portanto, é baseado no controle da doença secundária ou situação que está causando o problema, como é caso do uso de alguns medicamentos, que devem ser substituídos. Outras partes do tratamento envolvem o controle imediato dos sintomas.

Para aliviar a crise, o ideal é consumir algum alimento doce, como balas e chocolates, ou um copo d’água com açúcar. Para evitá-la, é fundamental criar o hábito de comer de 3 em 3 horas e não abusar dos exercícios físicos ou do consumo de álcool.

Também é importante que haja uma educação – tanto por parte do paciente, quanto de seu familiares – no sentido de saber reagir da forma correta nos episódios de hipoglicemia. Durante uma crise leve, o próprio paciente é capaz de identificar que necessita de glicose e, de forma independente, já preparado com uma bala ou chocolate no bolso, consumir uma quantidade de açúcar. Em momentos de crises mais intensas, no entanto, ele pode precisar da ajuda de terceiros, que precisarão identificar os sinais e oferecer um copo d’água com açúcar, suco ou um doce. Mas é preciso ficar atento! O ato de engolir deve ser voluntário. Por isso, em casos que os sintomas envolvam perda de consciência, por exemplo, tentar fazer com que o paciente desacordado ingira qualquer tipo de alimento é perigoso. Nesse caso, ele deve ser levado diretamente para um pronto socorro.

A hipoglicemia é uma condição perigosa que pode levar a outras complicações, como o coma e, até mesmo, a morte. Contudo, conviver com a hipoglicemia exige apenas algumas mudanças de hábitos que podem ser administradas facilmente no dia a dia, como o costume de alimentar-se de 3 em 3 horas, evitando passar longas horas em jejum, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, ingerir carboidratos antes e depois de praticar exercícios, entre outras recomendações médicas. No caso dos diabéticos, a convivência com a hipoglicemia exige ainda especial atenção à taxa de glicose no sangue, mesmo durante a prática de atividades físicas e tomar cuidado durante a aplicação de insulina para administrar a dose correta e evitar diminuição excessiva do índice de açúcar no sangue.

*Aviso aos diabéticos: se você tem diabetes, não se engane acreditando que o ideal é manter as taxas de glicemia altas para evitar as crises de hipoglicemia. A longo prazo, taxas elevadas de glicemia no sangue podem desencadear outros problemas graves de saúde, como neuropatias e doenças cardiovasculares.

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6 Responses

  1. artur

    tenho hipoglicemia as vezes mesmo comendo doces ela não sobe e fico com tonturas e fraqueza e visão embaçada existe algo que posso fazer alguma insulina para aumentar o índice glicêmico

  2. Léia

    Bom Dia .
    Fiz a curva glicemia..so apresentei valores baixo…71…64…34….65 mg/dl…o mais alto 88…..insulina 1.20 o valor de referencia apresenta a partir de 1.90…ñ encontro nada a respeito…isso é normal?

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