Os 4 tipos de esofagite

Os 4 tipos de esofagite

Esofagite é o nome dado à inflamação no esôfago.

Você já comeu uma quantidade de comida tão grande que acabou sentindo um leve gosto de acidez na boca, como se a comida tivesse sofrido um refluxo? Isso acontece porque a boca é ligada ao estômago por um órgão chamado esôfago.

Com aproximadamente 40 cm de comprimento, o esôfago funciona como uma espécie de tubo ou cano oco. É por meio dele que os alimentos são transportados da boca ao estômago. Separando o esôfago do estômago existe uma espécie de válvula, chamada de esfíncter esofágico inferior. Trata-se de uma estrutura muscular em formato de anel que funciona como uma porta, permitindo a entrada de alimentos no estômago e se fechando logo em seguida para impedir o retorno dos mesmos para o esôfago, mesmo na posição deitada ou de ponta cabeça.

Há quatro tipos de esofagites, classificados de acordo com as causas da inflamação:

1. Esofagite de refluxo

A esofagite de refluxo ocorre quando o esfíncter esofágico inferior não funciona corretamente, permitindo que os ácidos estomacais voltem ao esôfago de forma recorrente, o que pode ser provocado por algumas situações específicas como: gravidez, obesidade, dilatação frequente do estômago ao ingerir uma grande quantidade de comida e consumo de algumas substâncias que relaxam o esfíncter, como álcool e cigarro. A acidez acaba por causar danos no tecido que reveste o esôfago, podendo levar a um quadro de esofagite crônica, causando dores frequentes.

2. Esofagite de eosinófilos

A esofagite de eosinófilos é caracterizada pela presença de uma alta concentração de eosinófilos no esôfago, em resposta ao consumo de alguma substância que causa alergia no indivíduo. Como parte do sistema imunológico, os eosinófilos são células sanguíneas responsáveis pela defesa do organismo. Quando o paciente ingere uma substância que causa alergia, essas células se concentram no esôfago para combater a reação alérgica e ajudar na regulação de inflamações, desencadeando a doença. É comum que pacientes com essa doença apresentam alergia a alimentos como leite, ovos, trigo, soja, amendoins, entre outras. E não se trata apenas de alimentos, podem ser substâncias como pó ou pólen, por exemplo. Contudo, o principal fator de risco relacionado à doença é o histórico familiar.

3. Esofagite infecciosa

O tipo mais raro, a esofagite infecciosa pode ser causada por vírus, bactérias e fungos. Microorganismos que podem, inclusive, popular o organismo naturalmente, como é o caso da Candida albicans, normalmente presente na boca. Para que a infecção aconteça, no entanto, é preciso que o sistema imunológico do paciente esteja consideravelmente debilitado, o que pode ocorrer em caso de câncer, diabetes, uso de antibióticos ou presença de doenças que comprometem diretamente o sistema imunológico, como a AIDS.

4. Esofagite causada por medicamento

Engolir medicamentos deitado ou sem água, especialmente as pílulas de tamanho grande, são os principais fatores de risco para esse tipo de esofagite que, como o próprio nome diz, é causado por medicamento. Isso porque diversos medicamentos podem causar danos nos tecidos do esôfago, provocando a inflamação. O risco aumenta considerando o tempo que o comprimido ou pílula permanecer em contato com o órgão antes de chegar ao estômago. Por isso a importância de tomar bastante água durante a ingestão de medicamentos de via oral, principalmente entre idosos, uma vez que, com a idade, a musculatura do esôfago tende a enfraquecer e a produção de saliva, diminuir.

Como saber se é esofagite?

Apesar de existirem diferentes tipos de esofagite, os sintomas frequentemente são os mesmos e incluem: dor, dificuldade ao engolir, dores no peito, dores no abdômen, náuseas, vômito, tosse, perda de apetite.

O diagnóstico da esofagite e seu tipo é feito com base no histórico do paciente e relato dos sintomas, além da realização de exames, como a endoscopia, que consiste na introdução de um longo tubo com uma câmera acoplada em sua ponta pela boca até o estômago, percorrendo todo o esôfago, com o objetivo de enxergar e analisar a região e coletar amostras para realização de testes em laboratório. O resultado desses testes pode apresentar as causas da inflamação. No caso de esofagite de eosinófilos, é possível ainda realizar testes de alergias para complementar o diagnóstico.

Uma vez diagnosticada a doença, é fundamental realizar o tratamento específico, conforme orientação médica, até o final. Se não tratada, a esofagite pode causar complicações graves para o esôfago, comprometendo o funcionamento do órgão e alterando, inclusive, sua forma e estrutura, podendo levar até mesmo a um quadro de câncer.

O tratamento depende do tipo de esofagite, mas sempre envolve uma mudança de hábito. No caso da esofagite de refluxo, é necessário recorrer ao uso de medicamentos, cuja atuação é focada no controle da produção de ácido no estômago. A interrupção do contato entre a acidez e o esfíncter esofágico inferior contribui para a recuperação do mesmo. A partir do momento em que o esfíncter esofágico inferior retorna a seu funcionamento normal, o refluxo acaba. Caso o tratamento com medicamentos não seja suficiente, a intervenção cirúrgica pode ser indicada com a mesma finalidade.

Tratar a esofagite por eosinófilos depende da elaboração de uma dieta restritiva, excluindo o consumo de alimentos que causam reações alérgicas, além do uso de medicamentos para tratá-las. Também são necessários medicamentos para tratar a esofagite infecciosa. Neste caso, o medicamento vai depender da natureza da infecção, que pode ser viral, demandando o uso de antivirais, bacteriana, demandando o uso de antibióticos, e assim por diante.

Já no caso da esofagite causada por medicamentos, a melhor solução é recorrer a outras alternativas de tratamento que não envolvam o uso de medicamentos de via oral. Caso não seja possível, uma opção pode ser a ingestão do remédio junto com um copo de água cheio ou mesmo o uso de uma versão líquida do mesmo, nunca deitado.

Como prevenir a esofagite?

Se você costuma sentir um incômodo na região do esôfago, já teve esofagite ou suspeita que pode desenvolvê-la, a melhor forma de combater a esofagite é se prevenindo. Dar um descanso para o esôfago é fundamental neste processo. Pensando nisso, recomendamos as seguintes dicas do bem:

  1. Evitar fumar e consumir bebidas alcoólicas;
  2. Conhecer seu organismo e evitar alimentos que podem causar o refluxo. Alguns alimentos específicos apresentam mais risco, como frituras, pimenta, refrigerantes, chocolate, sucos de frutas cítricas e molho de tomate;
  3. Elevar a cabeceira da cama;
  4. Evitar deitar por pelo menos 1 hora após as refeições.
  5. Evitar a ingestão de grandes quantidades de alimentos de uma só vez, para não dilatar o estômago;
  6. Evitar a ingestão de alimentos que possam causar alergia. O que também vale para o contato com outras substâncias, como o pó.
  7. Beber bastante água ao ingerir um medicamento;
  8. Perder peso, uma vez que a obesidade pode alterar o funcionamento do esfíncter;

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12 Responses

  1. Daniel Corrêa Coelho

    Estou com esofagite crônica leve. Infelizmente!!!
    O médico receitou o remédio: Dexilant(dexlansoprazol) 60mg. Tomar um comprimido durante 60 dias.
    Minha maior dificuldade é em engolir alimentos. É como se a garganta estivesse inflamada!!!

  2. Edna

    Tomei um comprimido grande com pouca agua pra engolir,ai parece que nao desceu ficou parado agora to tento dificuldades pra engolir parece que ele ta parado ainda ,pode virar esofagite?

  3. ola, estou com disfagia e suspeita de alergia pois aparecem manchas vermelhas em meu pescoço e no peito e somem após algumas horas. Já fiz endoscopia mas sem a biópsia e vários outros exames e não houve um diagnóstico. o que devo fazer? estou sentindo falta de ar e dores no peito, o que me recomenda? obrigado.

    1. Olá! Um diagnóstico só pode ser feito por um profissional especializado. Você já consultou um alergista? Quais outros exames você já realizou? O importante é continuar com o acompanhamento médico e com a investigação da complicação. O diagnóstico de algumas condições podem ser demorados, mas só assim para ser realizado um tratamento adequado para seu caso. Grande beijo!

  4. Betilde Vilaça

    Estou com esofagite .. to quase terminando o tratamento de medicamentos pelo médico . Mas de vez enquando vacilo e como algo q não posso . Aí meu estômago fica inchado . Por uns dias .. mal posso comer as coisas é muito ruim.

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