Sinusite e Rinite: É Possível ter os dois?

sinusite-rinite

Rinite e sinusite: você sabe a diferença entre as duas doenças? Pelo nome, já é possível saber que se tratam de inflamações, por causa do sufixo “ite” presente em ambas. Mas que tipo de inflamação? Onde?

É comum ouvirmos as pessoas dizendo que tem rinite e sinusite, pois não sabem identificar exatamente qual é qual.

Vamos tirar essa nuvem que está congestionando nosso conhecimento. Apesar de ambas serem caracterizadas por inflamações, a rinite é uma inflamação na mucosa da cavidade nasal, enquanto a sinusite corresponde à inflamação nos seios da face. Quando o paciente apresenta rinite + sinusite, ele sofre de rinossinusite. Esse é o termo certo nesse caso. 😉

Qual a diferença entre sinusite e rinite?

Rinite Inflamação na mucosa do nariz
Sinusite Inflamação na mucosa dos seios da face


Rinite

A inflamação das mucosas da cavidade nasal, chamada de rinite, é causada geralmente por:

  1. Infecção viral, como um resfriado;
  2. Reação alérgica, desencadeada por alérgenos (particulas estranhas, como poeira).

Quando o nariz inala juntamente com o ar uma particula considerada estranha, imediatamente o sistema imunológico reage na tentativa de defender o organismo. Uma reação bastante exagerada, considerando que as particulas de poeira em si não apresentam ameaça. Mas o sistema imune do paciente acredita que sim. Trata-se, portanto, de uma reação imunológica do corpo, que varia de organismo para organismo.

Essas particulas estranhas, os alérgenos, podem ser qualquer agente com capacidade de desencadear uma reação alérgica. No caso da rinite, os agentes inalados mais comuns são:

  • Pólen
  • Fumaça
  • Poeira
  • Produtos químicos
  • Perfume ou produtos com cheiro forte

Os fatores de risco para rinite alérgica incluem:

  • História familiar de alergias;
  • Nascimento durante a época do pólen;
  • Bebês que pararam o aleitamento materno precocemente;
  • Exposição frequente à fumaça de cigarro no primeiro ano;
  • Exposição precoce a antibióticos;
  • Viver ou trabalhar em ambientes ricos em potenciais alérgenos;
  • Poluição do ar.

Quando o paciente está frequentemente exposto ao alérgeno, os sintomas tendem a ficar cada vez piores. Além disso, a tolerância do organismo também diminui, desencadeando crises ao contato de uma quantidade cada vez menor de alérgeno. Alguns pacientes se tornam tão sensíveis a ponto de enfrentar crises quando expostos a outros fatores, como frio, fumaça ou cheiro forte.

Sintomas

Os sintomas da rinite alérgica são um efeito colateral do ataque do sistema imune ao corpo invasor. Eles geralmente são mais duradouros e recorrentes do que os sintomas da rinite por infecção, e surgem logo após contato com o alérgeno, podendo incluir:

  • Espirros, coriza nasal, entupimento nasal;
  • Lacrimejamento;
  • Irritação ou coceira nos olhos, nariz, garganta, céu da boca (palato) ou pele.

Outros sintomas comuns são:

  • Olheiras (a região abaixo dos olhos fica inchada e escurecida);
  • Cansaço;
  • Tosse;
  • Diminuição da audição e do olfato;
  • Dor de garganta;
  • Dor de cabeça.

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado nas informações reveladas pelo paciente, podendo incluir os tipos de sintomas, frequência e época do ano em que se manifestam e as substâncias geralmente responsáveis pela crise, quando identificadas. Para identificar os alérgenos, o doutor pode solicitar o teste de alergias (testes na pele ou hemograma completo, por exemplo).

Tratamento

A rinite alérgica não tem cura, mas pode ser controlada. Além disso, em alguns casos em que aparece na infância, seus sintomas podem ser amenizados ao longo do tempo.

O tratamento da rinite alérgica deverá focar o controle dos sintomas e a redução da exposição aos alérgenos. Para isso, é necessário evitar o contato com os alérgenos já identificados. Para tratar as crises, o doutor poderá receitar anti-histamínicos (antialérgicos), descongestionantes nasais e corticosteróides. Caso não houver melhora, existem ainda vacinas antialérgicas que podem ajudar.

Prevenção

A única forma efetivamente comprovada contra as crises de rinite alérgica é evitar contato com os alérgenos. Se você já conhece a substância que desencadeia os sintomas, evite-a. Se não, siga as dicas a seguir para uma vida mais saudável:

  • Livre-se de tudo o que pode acumular poeira e ácaros, como carpetes, tapetes, bichos de pelucia e cortinas;
  • Mantenha a casa sempre bem arejadas e ensolarados
  • Realize a limpeza da casa com pano úmido;
  • Evite mexer com livros e roupas guardados a muito tempo;
  • Evite produtos de limpeza, tintas, perfumes, fumaça do cigarro e inseticidas.

Sinusite

A sinusite, por sua vez, é uma inflamação da mucosa dos seios da face, as famosas maças do rosto.

Uma das funções dos seios da face é a secreção de muco para proteção das vias aéreas. A doença ocorre quando a secreção não é corretamente drenada e começa a se acumular nos seios da face. Isso pode acontecer devido a dois fatores principais:

  • Infecções: bactérias, fungos e vírus;
  • Reações alérgicas: poeira, cheiro forte, choque térmico entre outros.

O tipo de sinusite varia de acordo com o tempo de duração dos sintomas, podendo ser:

  • Aguda: infeção temporária, com duração inferior a 12 semanas;
  • Crônica, também chamada rinossinusite, é uma inflamação com duração superior a 12 semanas.

Diferente da sinusite aguda, que geralmente se resolve em cerca de dias, a sinusite crônica é uma inflamação de difícil cura, mas que pode ser controlada com tratamento adequado.

Entre os principais fatores de risco para surgimento da doença estão:

  • Reações alérgicas: exposição a alérgenos respirados juntamente com o ar, como poeira, poluição, ácaros, pólen, mofo, pelos de animais e fumaça de cigarro. Outras substâncias químicas também podem ser prejudiciais, como tinta, desinfetantes e produtos de limpeza;
  • Outras doenças: a rinite e a asma, por exemplo, podem favorecer o aparecimento da sinusite, bem como doenças que afetam a imunidade, como a AIDs;
  • Desvio de septo nasal, pólipos nasais ou traumas na face;
  • Infecções respiratórias
  • Fumaça do cigarro.

Sintomas

A sinusite crônica e a aguda apresentam sintomas parecidos, o que varia é a sua duração. Além disso, os sintomas tendem a ser mais intensos no caso da sinusite crônica.

A doença aparece geralmente quando há obstrução ou secreção nasais somadados a um dos sintomas a seguir:

  • Sensação de pressão ou dor na face;
  • Dificuldade de sentir cheiro.

Além disso, outros sintomas podem incluir:

  • Dor de ouvido ou dores no maxilar superior;
  • Inflamação na garganta;
  • Tosse, principalmente durante a noite;
  • Mau hálito;
  • Fadiga, irritabilidade ou náuseas.

Diagnóstico

O diagnóstico da sinusite é clínico. O otorrinolaringologista pode fazer uma rinoscopia (endoscopia nasal) para tentar visualizar diretamente os seios paranasais.

O exame de imagem mais utilizado atualmente é a tomografia computadorizada (TC).

Tratamento

No caso da sinusite aguda, a simples lavagem da cavidade nasal com soro fisiológico e a aplicação de corticoides nasais em spray são suficientes. Para trazer mais alívio e ajudar a se livrar das secreções, também é recomendado beber bastante água e fazer compressas mornas sobre o rosto.

No caso da sinusite crônica, a prevenção das crises é sempre o melhor tratamento.

Saiba mais sobre os tipos de medicamentos que podem estar relacionados:

  • Anti-histamínicos: se a doença não está associada a um processo alérgico, não é necessário;
  • Descongestionantes nasais: não costumam ser recomendados, pois estão associados ao alívio temporário dos sintomas. Quando o uso é suspendido, os sintomas acabam retornando rapidamente.
  • Antibióticos: são indicados apenas em caso de sinusite bacteriana. Caso contrário, seu uso não é necessário, além de poder ser prejudicial, desregulando a flora bacteriana do paciente.

Prevenção

Para pacientes com sinusite crônica, a dica é: identifique os estímulos que podem ser responsáveis por causar a inflamação e evite-os! É fundamental evitar também a poluição e a fumação de cigarro, por exemplo, e manter a mucosa nasal sempre hidratada. Além disso, é importante tratar a rinite alérgica e sempre combater gripes e resfriados com tratamentos adequados.

E ainda tem mais! Preparamos algumas dicas para ajudar você nessa tarefa.

14 Dicas do Bem para evitar crises de rinite e sinusite

    1. Faça o teste: qual é o seu alérgeno? Poeira, ácaros? Com o teste, você pode identificar o problema e evitá-lo para se prevenir contra as crises.
    2. Elimine alérgenos da sua vida: mantenha a casa sempre limpa, evite o acúmulo de poeira, mofo e contato com pelos de animais, insetos, ácaros. Lave a roupa de cama semanalmente e use fronhas e capas de colchão antiácaros. Substitua carpetes por outros tipos de piso, elimine os tapetes do quarto e troque cortinas por persianas. Mas não deixe de limpá-las semanalmente!
    3. Fique de olho nas doenças relacionadas: um simples resfriado ou gripe podem desencadear uma crise. Trata-se sempre com cuidado para evitar maiores complicações.
    4. Inale vapor e faça lavagem nasal: além de promover a limpeza das vias aéreas, evita a proliferação de microorganismos que se instalam na região quando esta se encontra muito ressecada, devido ao acúmulo de impurezas.
    5. Abuse da água: a água é grande aliada na fluidificação de todas as secreções do corpo, inclusive as do nariz!
    6. Evite o cigarro e a poluição: a fumaça do cigarro (bem como a poluição) prejudica o funcionamento dos cílios nasais, os pequenos pelos do nariz responsáveis por manter o “salão limpo”. Se eles não funcionam bem, as secreções se acumulam.
    7. Lave as mãos: mais propensas a carregar vírus e bactérias, as mãos devem estar sempre limpas, principalmente antes de tocar a boca, olhos ou alimentos.
    8. Proteja-se do frio: o nariz aquece, protege e filtra o ar. Dessa forma, no frio, o ar gelado fica na região por mais tempo para que não chegue aos pulmões sem antes ser aquecido. Ao sair de um ambiente fechado (quente) para um ambiente aberto (frio), o choque térmico pode paralisar os batimentos dos cílios por alguns instantes, favorecendo o acúmulo de secreções. Por isso é tão comum que pessoas com alergia fiquem com o nariz vermelho e inchado e comecem a espirrar quando está muito frio.
    9. Evite o ar condicionado: ele pode até manter a temperatura agradável, mas ele também é um vilão para quem tem rinite ou sinusite pois, além de retirar a umidade do ar e deixar o ambiente frio, ainda pode favorecer a concentração de poluentes. Por isso, desligue o aparelho sempre que possível.
    10. Tape o nariz para cheiros fortes: além de irritar as vias aéreas, podem desencadear crises de asma. Pessoas com quadros mais graves de rinite pode se tornar bastante sensíveis a cheiro forte de perfumes e aromatizantes, por exemplo.
    11. Não perca a vacina da gripe: vírus que causam infecções respiratórias também são responsáveis por inflamar as vias aéreas. Para se prevenir contra o vírus da gripe, é fundamental ficar em dia com a vacina.
    12. Evite animais: se o pelo dos animais, como cachorros e gatos, desencadeia a alergia em você, fique longe. Se não for possível, mantenha seu pet sempre limpo e não deixe que ele durma no seu quarto.
    13. Não fuja dos exercícios físicos: a atividade aeróbica é muito benéfica para o sistema cardiorrespiratório. Mas tenha cuidado. Realizar exercícios descontroladamente pode incitar crises. O ideal é iniciar as atividades de forma gradual, aumentando a intensidade aos poucos.
    14. Coma bem: manter uma alimentação saudável fortalece o sistema imunológico. O que significa menos doenças respiratórias e, consequentemente, crises!

 

Quer saber mais?

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