Transtorno Bipolar – Será que eu sofro desse mal?

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Oscilações de humor ao longo da vida são esperados e até normais. Nos afetamos com os fatos ocorridos no nosso dia a dia, com a família, os amigos e até mesmo os noticiários. Porém uma oscilação frequente e sem causas aparentes pode ter por trás um transtorno bipolar não identificado.

O transtorno bipolar se caracteriza por dois ou mais episódios nos quais o humor e o nível de atividade do sujeito estão profundamente perturbados por alterações do humor, com recorrência de episódios depressivos (leves a graves), intercalados com períodos de normalidade e de fases maníacas (euforia) ao longo da vida. Este distúrbio consiste em algumas ocasiões de uma elevação do humor e aumento da energia e da atividade (hipomania ou mania) e em outras, de um rebaixamento do humor e de redução da energia e da atividade (depressão). A mudança de comportamento de euforia para depressão, ou vice-versa, é súbita, e o indivíduo pode não perceber esta alteração ou atribuí-la a algum fator do momento, pois o senso crítico e a capacidade de avaliação objetiva das situações ficam prejudicadas ou ausentes.

Quadro clínico

Depressão

Nos episódios de depressão (leve, moderada ou grave), o paciente apresenta durante um período mínimo de duas semanas, um rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da atividade. Caracteriza-se por uma multiplicidade de sintomas.

O episódio, apresentado durante um período mínimo de duas semanas, deve ser acompanhado por sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou outras áreas importantes da vida do indivíduo. Para alguns indivíduos com episódios mais leves, o funcionamento pode parecer normal, mas exige um esforço acentuadamente aumentado.  

Em crianças e adolescentes, pode desenvolver-se um humor irritável ou rabugento, ao invés de um humor triste ou abatido. Esta apresentação deve ser diferenciada de um padrão de “criança mimada”, que se irrita quando é frustrada.

Mania

A mania afeta o humor e as funções vegetativas (sono, cognição, psicomotricidade e nível de energia). A euforia, ou alegria patológica constituem a base dos episódios maníacos. Pode-se observar, de maneira geral, os seguintes sinais e sintomas:  

  • Aumento da auto-estima: pessoa sente-se superior, melhor e mais potente;
  • Elação: sentimento de engrandecimento do eu, expansão;
  • Insônia: associada a sensação de diminuição da necessidade de sono;
  • Logorréia: produção verbal rápida, fluente e persistente;
  • Pressão para falar: tendência a falar sem parar;
  • Distraibilidade;
  • Agitação psicomotora;
  • Irritabilidade: desde leve irritabilidade até franca agressividade;  
  • Arrogância;
  • Desinibição social e sexual: levando a pessoa a comportamentos inadequados;
  • Tendência exagerada a comprar objetos ou a dar seus pertences;
  • Idéias de grandeza, de poder, de importância social, delírios de grandeza ou de poder;
  • Alucinações: geralmente auditivas, com conteúdo de grandeza.

Hipomania

A hipomania é um estado semelhante à mania, porém mais leve, que muitas vezes passa despercebida e não recebe atenção. Em geral, é breve, durando menos de uma semana. Há mudança no humor habitual da pessoa para euforia ou irritabilidade, reconhecida por outros, além da hiperatividade, tagarelice, diminuição de necessidade de sono, aumento da sociabilidade, atividade física, iniciativa, atividades prazerosas, libído e sexo, e impaciência. O prejuízo não é tão intenso quanto o da mania. O indivíduo está mais disposto que o normal, fala muito, conta piadas, faz muitos planos e não se ressente com as dificuldades e limites da vida. A hipomania não se apresenta com sintomas psicóticos, nem requer hospitalização.

Os estados patológicos de elevação de humor são acompanhados de vários graus de sintomas depressivos e prejuízos funcionais.  

O transtorno bipolar pode ser tratado adequadamente com várias classes de medicação porém, o curso do transtorno bipolar é, freqüentemente, caracterizado por sintomas crônicos e por altos índices de recaídas. A psicoterapia no tratamento do transtorno bipolar têm como objetivos, principalmente, o aumento da adesão ao tratamento, a redução dos sintomas residuais, prevenção das recaídas/recorrências, aumentar o funcionamento social e ocupacional dos pacientes e as capacidades de manejar situações estressantes em suas vidas e a melhora na qualidade de vida dos pacientes e seus familiares.

Fonte:
CID – 10 – Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10ª Revisão.
KNAPP, P.; ISOLAN, L. Abordagens psicoterápicas no transtorno bipolar. Rev. Psiq. Clín. 32, supl. 1; 98-104, 2005.
MORENO, R.A.; MORENO, D.H.; RATZKE, R. Diagnóstico, tratamento e prevenção da mania e da hipomania no transtorno bipolar. Rev. Psiq. Clín. 32, supl. 1; 39-48, 2005.
DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

Filme sugerido: Mr. Jones, 1993.

Sinopse: Impulsivo, irresponsável, irresistível – Mr. Jones é uma pessoa que, com muita facilidade, passa por períodos de profunda depressão e desânimo. Inteligente, dedicada e respeitada, a doutora Libbie Brown é uma psiquiatra que, apesar de todo o seu treinamento, está despreparada para Mr. Jones. Ele a desafia, ele a intriga, conquista seu coração – e breve Libbie se percebe arriscando toda a carreira por amor. Este é um provocante drama romântico no qual uma doutora se vê envolvida num clima totalmente mágico, mas profundamente tempestuoso, com um paciente entregue a seus cuidados. Um filme que conta a história do poder do amor de duas diferentes formas: iluminando a extraordinária complexidade das condições de um maníaco-depressivo (transtorno bipolar) e examinando o frágil relacionamento na relação entre médico e paciente, no instável mundo da saúde mental.

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