Tire suas dúvidas sobre Transtorno Borderline e Bipolaridade!

Tira suas dúvidas sobre Transtorno Borderline e Bipolaridade!

Você sabe qual é a diferença entre Transtorno de Personalidade Borderline e Bipolaridade?

Existem pessoas que apresentam comportamentos, personalidades e humores imprevisíveis, desafiando padrões e confundindo inclusive a si mesmas. Isso nem sempre é normal e pode, sim, representar a presença de uma (ou mais) doença mental, como é o caso de Transtorno Borderline e Bipolaridade.

Na superfície, pode parecer difícil encontrar a diferença entre Transtorno Borderline e Bipolaridade. Ambos os distúrbios envolvem mudanças de humor e problemas com o controle de impulsos, com sintomas tão característicos que o diagnóstico inicial pode ser complexo mesmo para um especialista – isso quando os transtornos não aparecem juntos, o que é bastante comum.

Se você tiver dúvidas sobre o humor imprevisível de um ente querido – ou mesmo o seu próprio – você pode ter dificuldade em descobrir qual desordem parece condizer mais com seu quadro sintomático. Contudo, entender as diferenças entre ambas é fundamental não apenas para nomear corretamente o distúrbio, mas principalmente para receber o tratamento correto.

O transtorno bipolar é um transtorno de humor, enquanto o transtorno borderline é um transtorno de personalidade.

O que é o Transtorno Bipolar ou Bipolaridade?

O Transtorno Bipolar é uma doença psicológica que causa mudanças graves no humor, na energia, no comportamento e nos pensamentos. As pessoas que sofrem dessa doença oscilam entre períodos de depressão e períodos de muito bom humor e euforia, conhecidos como mania (ou hipomania, quando em menor intensidade). Essas oscilações podem variar de intensidade e frequência de acordo com cada pessoa.

O transtorno bipolar é conhecido por períodos alternados de depressão e mania com duração mínima de uma semana, mas podendo durar de dias para meses. Um episódio de mania pode incluir:

  • Alegria exagerada;
  • Fácil distração, grande agitação e capacidade de discernimento diminuída;
  • Hiperatividade, aumento de energia, pensamentos acelerados e sobrepostos;
  • Compulsão alimentar ou consumo de álcool e drogas em excessivo;
  • Autoestima muito elevada (ilusão sobre suas habilidades);
  • Grande envolvimento em atividades, gastos excessivos e fala em excesso;
  • Temperamento descontrolado e fácil irritabilidade;
  • Insônia ou redução da necessidade de dormir.

Por outro lado, um episódio de depressão é caracterizado por:

  • Tristeza profunda ou desânimo diário;
  • Dificuldade de se concentrar, tomar decisões ou memória reduzida;
  • Fadiga ou falta de energia;
  • Perda de apetite e peso ou comer excessivamente e ganho de peso;
  • Baixa autoestima;
  • Perda de interesse nas atividades antes prazerosas;
  • Pensamentos sobre morte e suicídio;
  • Afastamento dos amigos ou das atividades que antes eram prazerosas;
  • Problemas para dormir ou excesso de sono.

O que é o Transtorno de Personalidade Borderline?

Já o Transtorno de Personalidade Borderline envolve um padrão de comportamento e personalidade em modos, relacionamentos, auto-imagem e comportamento. O transtorno é caracterizado pela instabilidade em vários aspectos, não apenas no humor. Trata-se de um transtorno que apresenta portanto uma característica permanente na personalidade, como um padrão de comportamento contínuo, com altos e baixos extremos e incontroláveis. Pessoas com transtorno de personalidade borderline podem experimentar respostas emocionais excessivamente fortes para eventos de vida perturbadores. Por apresentar grande instabilidade emocional, elas muitas vezes têm relações caóticas com as pessoas, além de viver em constante sofrimento e, inclusive, considerar a automutilação ou mesmo o suicídio como opção para aliviar o sofrimento psíquico.

Uma pessoa com transtorno de personalidade Borderline tem problemas para controlar seus pensamentos e gerenciar seus sentimentos, e muitas vezes tem comportamento impulsivo e imprudente. Aqui estão os principais sintomas da condição:

  • Esforços frenéticos para evitar se sentirem abandonados
  • História de relacionamentos instáveis ​​e intensos
  • Tendência para ver pessoas e situações como “tudo bem” ou “tudo ruim”
  • Baixa autoestima
  • Impulsividade (gastos, sexo, abuso de substâncias químicas)
  • Automutilação ou comportamento suicida
  • Mudanças de humor envolvendo raiva e depressão, geralmente em resposta a eventos ou relacionamentos estressantes
  • Sentimentos de vazio
  • Medo do abandono
  • Problemas que gerem raiva e emoções desagradáveis
  • Paranóia

Analisando as diferenças:

Dessa forma, enquanto no Transtorno Bipolar, o humor oscila dentro de um período de dias, semanas ou meses, seguindo ciclos, a variação de humor do borderline varia dentro de um espaço curto de tempo: segundos, minutos ou horas, no máximo.

As influências genéticas desempenham um papel menor no Transtorno Borderline do que no Transtorno Bipolar. Sendo assim, o fator chave para desenvolvimento do transtorno bipolar é a vulnerabilidade genética. Sem essa predisposição, vinda do histórico familiar, torna-se mais difícil desenvolver a doença. Vários fatores ambientais, sociais e de personalidade podem desencadear seu aparecimento. Entre eles estão o desequilíbrio entre os neurotransmissores (responsáveis por transmitir informações no cérebro e bloquear sensações), desequilíbrio hormonal, peculiaridades biológicas (diferenças físicas na formação cerebral) ou mesmo o estresse intenso ou vivência de experiências traumáticas, como abuso sexual ou perda na família. Alguns fatores podem agravar ou desencadear a doença, como o uso indevido de drogas ou álcool.

Apesar de fatores genéticos terem um papel importante nos casos de transtorno de borderline, ele também tem sido mais fortemente associado a uma história de abuso da infância ou mesmo educação muito rígida. Os fatores relacionados ao seu surgimento abrangem desde a predisposição genética até experiências emocionais precoces e fatores externos, em especial situações traumáticas, negligência familiar ou abusos físicos e sexuais ainda na infância ou adolescência.

O tratamento para ambas as doenças é prolongado ou vitalício. A maioria das pessoas com transtorno bipolar precisa de tratamento vitalício para manter o transtorno sob controle, o que inclui o uso de medicamentos, como estabilizadores de humor e às vezes também antipsicóticos ou antidepressivos, e terapia no intuito de desenvolver habilidades para gerenciar as diferenças de humor. Além disso, é recomendado que haja mudanças no estilo de vida, com redução dos níveis de estresse, adoção de hábitos mais saudáveis de alimentação e sono, prática de exercícios físicos e a redução total do consumo de substâncias psicoativas, como a cafeína e álcool.

O transtorno borderline, da mesma forma, envolve o uso de medicamentos. Contudo, eles não são considerados o foco do tratamento, mas sim a psicoterapia, capaz de ajudar a gerenciar impulsos, como tendências à automutilação em momentos de tristeza, sentimentos de angústia ou raiva, entre outros. Além disso, eventualmente, podem ser necessárias internações em curtos períodos de tempo para gerir momentos de crise que envolvam ameaças à segurança e ao bem-estar do paciente.

O que fazer se você acha que sofre de borderline ou bipolaridade? Procure ajuda médica! Psicólogos e Psiquiatras são os especialistas.

Consulte um Doutor do Bem! Encontre o mais próximo de você no www.consultadobem.com.br 😉

Posts relacionados

7 Responses

  1. Walmir

    Muito bom!

    Só uma singela observação… O transtorno bipolar, também conhecido como transtorno afetivo bipolar ou doença maníaco-depressiva, não é uma doença psicológica, é um transtorno psiquiátrico, ou seja,  uma doença médica de base cerebral.
    Parabéns pelo texto. Muito esclarecedor!

  2. Higor

    Bom dia. tenho uma namorada que tem borderline. Como não conheço a respeito, em uma certa ocasião, tentei ajudar com experiências que tive de outros relacionamentos e sem intenção acabei a comparando. Isso aconteceu 3 vezes. O que está acontecendo agora é que ela não consegue esquecer o ocorrido e isso esta afetando diretamente nosso relacionamento. Ela ficou agressiva certo momento e disse que não consegue lidar com essas palavras. Disse que gosta muito de mim , mas que não consegue passar por cima disso. Estou tentando contornar por meio de diálogos mas sinto que não esta funcionando. O que devemos fazer, uma vez que a amo e não quero o fim do relacionamento.

    1. Higor, paciência e compreensão são essenciais quando se está lidando com alguém com esse transtorno. Continue tentando estabelecer diálogos, e faça ela sentir que você está ao lado dela. Ela realiza acompanhamento com um profissional da saúde, como psiquiatra ou psicólogo? Isso é muito importante! Beijos.

  3. Cristina

    Convivo desde os 7 anos, estou c 62 anos, com um ser humano bipolar, antes chamada psicose maniaco-depressivo, e, a 38 anos c um boderline. O sofrimento dos dois são semelhantes, o q diferencia é q o bipolar tem períodos longos de estabilidade, proporcionada pelo continio uso medicamentoso, por periodos q chegaram a 15 anos, proporcionando um ajuste pessoal e familiar, tanto profissional e aceitação da doença, que não interfere nos sentimentos enquanto estabilizado, e realmente fator genético presente.
    O borderline, inversamente proporcional, não tem períodos de estabilidade, desde o momento q inicia, normalmente adolescência, qdo começa a ouvir os “Nãos” da vida, perdurando durante a vida, diariamente, c mudanças de humor e comportamento de hora em hora. Diferente do apontado, o borderline, q convivo diuturnamente a 38 anos, teve seu diagnostico feito aos 16 anos por um psiquiatra de renome internacional, Dr Valentim Gentil, e, não sofreu abuso sexual, não teve criação rígida, pelo contrario, educação permissiva q cobtribuio p acentuar o transtorno, q ja aparecia desde o nascimento: bebê q chorou ate os 2 anos, criança irritada e birrenta, inicio adolescência timidez escessiva, jovem traumática, hoje adulto c muita dificuldade de se relacionar tanto familiar como socialmente, mas ja co periodos de estabilidade mais faceis de conviver. Poucos relacionamentos mas todos duradouros e sofridos, hoje a 9 anos em um relacionamento doentio mas aceitavel p ambos.
    Sempre acompanhado por profissionais e por pais c vontade de conhecer, aprender e aceita-lo. Hoje c muito mais boa relação por encergar e saber como se desligar emocionalmente, nunca da pessoa.
    Grata pelo espaço.

Deixe uma resposta