Entenda a diferença entre Zika, Dengue e Chikungunya

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Parece que cada vez mais estamos sendo infectados por doenças virais que podem levar a epidemias em nosso país. Além da já conhecida dengue, e mais recentemente da febre Chikungunya, estamos diante de uma nova ameaça chamada febre Zika.

Tudo isso acaba por nos deixar cada vez mais preocupados com nossa saúde e, com isso, precisamos aprender e entender, acima de tudo, o que elas podem ter em comum – e quais são as diferenças – para podermos combater estas inimigas.

Sabemos que todas são causadas por vírus, embora de familias diferentes, são também transmitidas por mosquitos do genero Aedes aegypty. E, com isso, acabam causando em muitos casos sintomas semelhantes,  sendo difícil, muitas vezes, mesmo ao profissional de saúde conseguir identificar as doenças sem auxílio de exames complementares como sorologias específicas.

Existem vacinas que combatem dengue, zika e chikungunya?

Apesar dos grandes esforços que estão sendo feitos, ainda não existe uma vacina disponível em grande escala para uso da população para combater a dengue, a febre chikungunya e o zika vírus. Sendo assim, é cada vez maior a preocupação em combater o vetor.

Essa seria a melhor arma para o controle e a erradicação destas doenças, pois todas têm em comum o mosquito Aedes aegypty como transmissor (entra ainda de brinde a tão temida febre amarela como outra doença transmitida por ele).

As já amplamentes conhecidas formas de prevenção da proliferação do mosquito devem fazer parte de nossa vida cotidiana. Como:

  • Evitar o acúmulo de água parada (seja ela em recipientes ou mesmo na natureza);
  • A limpeza de áreas propícias ao acúmulo de água (como vasos, calhas, telhas, aquários, etc);
  • O gerenciamento do lixo (que deve ser dispensado de forma adequada e não na natureza como em beira de córregos, ruas e terrenos baldios).

Na parte pessoal, muito se fala no uso de suplementos vitamínicos do complexo B, que tem seu uso difundido principalmente por indivíduos que viajam para zonas de florestas (acredita-se que pelo seu uso haverá mudança do odor do suor, espantando assim o mosquito). Essa alternativa é valida, desde que seja utilizada alguns dias antes da viagem, bem como antes da alta temporada da infestação dos mosquitos.

Mais eficiente e garantido é o uso de repelentes continuamente (somente os industriais de comprovada procedência).

Colocadas essas primeiras noções e semelhanças entre as doenças, vamos agora  nos aprofundar em suas particularidades e, principalmente, aos sintomas comuns e diferenças para entendermos melhor e podermos nos precaver de forma mais eficaz.

Enfim, deu Zika!

Sua descoberta aconteceu na África por volta de 1947, em Uganda. Lá foram identificados macacos nas florestas contaminados pelo vírus . Somente nos anos 50 tivemos na Nigéria os primeiros casos de contágio em humanos. Após, foram identificados casos na Ásia e Oceania.

Como chegou ao Brasil não sabemos,  mas possivelmente com o grande fluxo de viajantes entre continentes, o vírus acabou pegando carona e desembarcando aqui em nosso país no último ano.

O contágio interpessoal não ocorre, sendo necessário a presença do mosquito como vetor transmissor, daí sua ampla disseminação em zonas tropicais, nas quais a temperatura, geralmente alta, propicia uma maior proliferação das larvas.

Sintomas do Zika Vírus

O vírus da zika pertence a uma família chamada de Flaviviridae – a mesma da hepatite C, dengue, febre amarela, entre outras. Apesar de ser considerado um vírus mais ameno, pois causa uma doença mais branda, com pouco tempo de duração dos sintomas, não deve de jeito nenhum ser menosprezada. Os cuidados são necessários porque o contágio pode causar infeção conjunta com vírus da dengue e febre chikungunya, podendo levar a complicações ainda não bem estudadas.

Como sintomatologia, o paciente contaminado pelo zika vírus apresenta os primeiros sintomas de 3 a 14 dias após a picada do mosquito. Este quadro engloba febre geralmente baixa, mas podendo chegar até 38,5° C; dores nas articulações, principalmente nas extremidades como pés e mãos, acompanhada ou não de inchaco (edema); dores de cabeça (cefaléia) com reflexo atrás dos olhos; dor generalizada muscular (mialgia); e uma característica do surgimento de erupções cutanêas (exantemas) acompanhada muitas vezes de intensa coceira, evidenciadas em algumas partes do corpo – principalmente rosto, tronco, pés e mãos.

Pacientes contaminados podem apresentar fotofobia, ou seja, dificuldade de adequação a luminosidade; conjuntivite e mais raramente diarreia, dor abdominal e constipação.

A utilização de testes complementares como sorologias específicas servem não somente para dar o diagnóstico preciso, mas também para a utilização de testes como dosagem de eletrolitos, coagulação, hemograma e enzimas hepáticas, ajudando na avaliação do comprometimento do paciente e sua monitoração.

Por ser uma infecção viral sem tratamentos específicos, devemos nos concentrar em combater e aliviar os sintomas, utilizando para isto analgésicos e anti-inflamatórios – lembrando que assim como ocorre com a dengue e a febre chikungunya não devemos utilizar aqueles que contêm ácido acetilsalicílico, pois seu efeito anticoagulante pode agravar o estado do paciente.

Anti-inflamatórios não hormonais, como os que possuem em sua fórmula componentes de diclofenaco, ibuprofeno e piroxican devem também ser evitados pelo mesmo motivo.

Geralmente após uma semana, no máximo, o desaparecimento dos sintomas é esperado. Se isto não ocorrer, procure um médico e utilize o aplicativo ou web do Consulta do Bem para auxiliá-lo,  buscando um clínico geral ou infectologista perto de você .

Consulta do Bem

Febre Chikungunya: difícil de falar, fácil de entender

Também de origem africana (Tanzania) com seu nome relacionado ao dialeto Makonde significa “pessoas que se dobram”. Passou para a Ásia, principalmente Índia, depois Europa e Americas, chegando ao Brasil provavelmente nos anos 2010. Em julho de 2014 foram identificados casos de pacientes que voltaram do Haiti e, mais recentemente, casos na Bahia, Minas Gerais e São Paulo.

O vírus pertence a família do Togaviridae, assim como a zika e a dengue, transmitida pelo famoso Aedes aegypti.

Sintomas da Febre Chikungunya

Possui sintomatologia bem parecida com dengue e zika, com os pacientes apresentando sintomas geralmente após 7 dias da picada do mosquito contaminado, mas podendo se estender até duas semanas após o contágio.

Na fase aguda a febre é alta (acima de 38,5° C) com seu aparecimento repentino, acompanhada de dores de cabeça; manchas avermelhadas na pele; dores musculares difusas; dores articulares nos pés, mãos, dedos, tornozelos com pulsos de forte intensidade que podem perdurar por um longo período de tempo, chegando inclusive a meses de duração, causando incômodo e restrições de movimentos aos pacientes. Outros sintomas menos comuns são náuseas, fadigas e vômitos.

Raramente e diferentemente da dengue, não apresenta quadro hemorrágico, e seu diagnóstico se faz através de sorologia específica e exames complementares semelhantes aos da zika, tanto para estadiamento e monitoramento da saúde do paciente.

O tratamento não é específico, mas o fato mais importante é evitar a desidratação do paciente, além dos medicamentos sintomáticos, como analgésicos e anti-inflamatórios, lembrando que devemos tomar os mesmos cuidados do tratamento da zika.

Uma curiosidade sobre a febre Chikungunya é que ela, diferentemente da dengue, não possui subtipo viral, sendo assim, sua contaminação se dá apenas uma vez na vida e até 10% dos pacientes infectados podem apresentar artrite persistente.

E então, como é a Dengue?

Talvez a dengue seja considerada a inimiga número 1 no mundo das doenças infecciosas e tem acometido o Brasil hà vários anos (o primeiro caso foi em Recife, em 1846).

A dengue foi identificada pela primeira vez na China (nos anos de 200 a 420 DC) passando para a África, Ásia e América do Norte.

Após a Segunda Guerra Mundial houve uma intensa disseminação da doença com seus vários subtipos e, na década de 70, ela foi responsável por uma grande taxa de mortalidade infantil no mundo.

Pertence a família dos Flavivirus e, como a febre amarela, também é transmitida pelo Aedes aegypti. Acredita-se que ela é capaz de infectar até 100 milhões de pessoas no mundo anualmente em todos os continentes, com exceção da Europa, segundo a OMS.

aedes aegypti

Sintomas da dengue

Embora na grande maioria dos casos (cerca de 80%) seja assintomática ou com leve sintomatologia, a dengue é uma doença grave que pode levar a óbito, principalmente no quadro hemorrágico, chegando às formas graves em até 5% dos casos.

A dengue clássica, ou seja, aquela de forma mais branda, apresenta uma sintomatologia que muitas vezes é confundida com a gripe, com início dos sintomas geralmente de 5 a 7 dias após a picada do mosquito.

Seus sintomas mais comuns são a febre alta de 39° a 40° C; dores de cabeça e retro-orbitais (atrás dos olhos), que piora quando movimentados; e dores pelo corpo.

Este quadro costuma durar até sete dias e, após isso, os pacientes podem apresentar outros sintomas, como perda do paladar e apetite, seguido muitas vezes de vômitos e náuseas.

Pacientes costumam ter extremo cansaço, acompanhado de forte mialgia (dor muscular) que pode atingir articulações e ossos (em muitos países, como em Cabo Verde, é conhecida como febre quebra-ossos), além de erupções cutâneas semelhantes as do sarampo, que aparecem principalmente em tórax e membros superiores. Algumas crianças apresentam dores abdominais.

Após 3 a 4 dias, quando esses sintomas começam a desaparecer, principalmente a febre, começam a surgir hemorragias acompanhadas de outros sintomas, como  dores abdominais fortes e contínuas, vômitos intensos, manchas em todo corpo, sangramentos nas mucosas (como nariz, boca e gengivas), alteração do comportamento com estágios de sonolência ou  agitação, seguido de confusão mental, dificuldade respitatória e queda da pressão arterial, e nesses casos podemos considerar o quadro grave com risco de vida ao paciente.

Nestes casos podem ocorrer o chamado choque da dengue com alteração do sistema circulatório, podendo levar a óbito – daí a necessidade de buscar auxílio hospitalar rápido.

Essa forma mais grave de doença pode acometer principalmente bebês e crianças pequenas, mas também crianças bem nutridas, assim como pessoas mais idosas e debilitadas acometidas por outras enfermidades.

E o diagnóstico da dengue?

Geralmente o diagnóstico da dengue é feito clinicamente baseado em sintomas e exames físicos. A sorologia específica é de extrema ajuda para a identificação correta, já que muitas vezes o quadro pode ser confundido com a gripe (na gripe espera-se o surgimento de sintomas respiratórios em até 24h após o início da febre), daí a procura rápida de um médico através do site ou app da Consulta do Bem se faz necessária e oportuna.

Exames de laboratórios podem detectar precocemente a queda de células brancas no sangue e queda do número de plaquetas, além de alterações das enzimas hepáticas e, em casos mais graves, a hemoconcentração e hipoalbuninemia (baixa proteína no sangue).

Como a dengue possui quatro sorotipos, o indivíduo pode ser contaminado mais de uma vez durante sua vida (até quatro vezes) e sua imunidade cria anticorpos específicos para o subtipo acometido.  

Assim como as outras doenças, a dengue não possui tratamento específico, sendo necessário o tratamento dos sintomas para aliviar o mal estar do paciente.

Como a dengue pode levar a desidratação, muitas vezes se faz necessária a hidratação endovenosa.

Nos casos de dengue grave a internação é fundamental para o acompanhamento do quadro clínico do paciente que pode se deteriorar rapidamente.

Ainda não estão disponíveis vacinas especifícas contra a dengue, apesar da boa perspectiva e de avanços nas pesquisas que nos fazem aguardar para breve uma vacina para aplicar em grande escala na população, inclusive, com o desenvolvimento por institutos de pesquisas brasileiros, como o Instituto Butantan.

Apesar disso, ainda há necessidade de medidas de prevenção, como as discutidas no início deste nosso papo, serem permanentemente adotadas.

A Consulta do Bem está sempre ao seu lado para esclarecer os temas que ajudam a cuidar de nossa saúde. Quando precisar de um profissional de saúde de forma rápida e acessível utilize nossas ferramentas para facilitar sua busca por uma saúde melhor.

 

Dr. Carlos Ballarati

Médico Patologista Clínico, Doutor em Patologia e MBA em gestão de saúde

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9 Responses

  1. Muito boa noticia, sabermos que a ciência está investindo tempo em pesquisas da mais alta tecnologia para implementar a vacina da Zika! Uma doença que está causando um certo pânico entre as pessoas, principalmente em mulheres grávidas!

  2. Infelizmente muitas crianças infectadas com o zika vão sofrer tantas consegquências pela vida toda. Infelizmente é uma pena. Fico muito triste com essa situação.. precisamos de ter fé e crer muito que em 2017 as coisas vão ser melhor.. Feliz ano novo a todos.. bjos…

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